A consciência escrupulosa
A consciência escrupulosa, juntamente com a consciência cauterizada, delicada e relaxada, constitui tipos de consciência de acordo com o modo habitual de julgar os próprios atos. Diante de suas ações, a consciência pode ser: delicada, se se ajusta cuidadosamente ao ditame do bem e do mal; relaxada, quando se acomoda a um mínimo e tende à inobservância por qualquer motivo; cauterizada, se já está insensível aos maiores pecados; e escrupulosa, se julga haver pecado onde não há ou tende a ampliar os pecados, transformando-os, sem motivo, de leves em graves.
a) Natureza do escrúpulo
A palavra “escrúpulo” é o diminutivo de scrupus, uma medida mínima usada para o peso de certos produtos; assim, um “escrúpulo” era suficiente para alterar o peso em balanças muito sensíveis. O tema dos escrúpulos esteve sempre muito ligado à vida moral, e a teologia católica foi acusada de produzir e fomentar escrúpulos.
Como nesse campo não é possível a estatística – ou pelo menos não foi realizada de modo científico –, tal crítica não deve ser levada em consideração. Em todo caso, pode ser um apelo a uma exposição rigorosa da mensagem moral cristã, que é completamente alheia à criação de consciências escrupulosas. Pois não se pode admitir que o escrúpulo se origine a partir do arrependimento, já que a resposta de Deus ao pecado do homem é sempre o perdão. Em uma moral baseada na misericórdia e na paternidade divina, não há espaço para consciências escrupulosas.
Contudo, o escrúpulo existe, e, por mais variadas que sejam as causas que o motivam, o moralista deve estar preparado para ajudar aqueles que sofrem de consciência escrupulosa.
b) Origem dos escrúpulos em cada pessoa
Não é fácil determinar a origem do escrúpulo. Em primeiro lugar, é preciso situá-lo em certas sensibilidades, cujo estudo está nas mãos dos psicólogos, com teorias e terapias distintas. De fato, o escrúpulo não é um fenômeno exclusivamente religioso. Também há psicologias escrupulosas: como a dona de casa que verifica repetidamente se fechou o gás ou o cientista que, sem motivo, revisa continuamente se a resistência dos materiais está correta ou se os componentes de um experimento são os esperados.
No entanto, na origem moral do escrúpulo, além desse fundamento psicológico, podem influir outros componentes de natureza religiosa. É possível que sua origem tenha uma causa sobrenatural: uma prova divina que sirva para a purificação ascética, como se observa na vida de alguns santos. Ou pode ser devido a uma educação moral excessivamente rigorista ou a uma formação teológica deficiente, que não tenha descoberto o mistério de Deus Pai, cuja atitude é de perdão e misericórdia, etc.
c) Sinais da consciência escrupulosa
Em princípio, é muito fácil de detectar. O escrupuloso se caracteriza, em primeiro lugar, por ser obsessivo: repete incessantemente seu caso, explica-o com detalhes irrelevantes e, ao contrário de outras atitudes que buscam resposta e se tranquilizam ao encontrá-la, o escrupuloso nunca se convence das razões que demanda e que lhe são oferecidas. É o eterno “crítico”, que encontra razões inexistentes e exige soluções imaginárias para situações comuns, como as suas. Nesse sentido, os autores clássicos sempre destacaram a “teimosia de julgamento” como atitude constante do escrupuloso frente aos conselhos que recebe.
A essa atitude psicológica, soma-se uma situação de ansiedade espiritual e temor. O escrupuloso vive angustiado pelos possíveis pecados que tende a detectar até mesmo em atos insignificantes. Embora possam existir outras manifestações, o confessor detecta facilmente os estados de escrúpulo, pois, com frequência, salvo nos casos patológicos, o próprio interessado admite sua condição.
d) Remédios contra os escrúpulos
Não existe uma terapia única, pois cada pessoa tem suas particularidades. O tratamento para um escrupuloso ocasional não é o mesmo para aquele que sofre de forma habitual, e este último varia conforme as causas sejam ascéticas ou decorram de condições psicológicas. Estas, por sua vez, são diversas, dependendo de afetarem parcialmente sua psicologia ou obedecerem a verdadeiras perturbações patológicas.
Nos casos em que existam perturbações psicológicas reais, embora não necessariamente anormais, é conveniente a ajuda de um psiquiatra. Observa-se, por exemplo, que alguns casos de depressão, tão frequentes atualmente, coincidem ou são acompanhados de manifestações escrupulosas, que desaparecem com a recuperação. Em outras ocasiões, um simples ajuste no ritmo de vida, na ocupação e no descanso, junto com alguma medicação, pode ser suficiente.
Outras manifestações psicológicas podem exigir uma terapia mais profunda e contínua. De qualquer forma, o psiquiatra deve fomentar o diálogo e o raciocínio, de modo que o paciente alcance segurança no julgamento sobre seu comportamento.
e) Missão do sacerdote
O papel do sacerdote é único, mas pode ser desdobrado em duas missões complementares. Primeiro, sem atuar como psicólogo, ele pode ajudar a pessoa a ser objetiva, usando o mesmo raciocínio que aplica a outras áreas de sua vida. Deve mostrar-lhe o caráter irracional dos escrúpulos e, em alguns casos, ajudá-la a aceitá-los como uma prova ascética, se forem vistos como vindos de Deus.
Como confessor ou conselheiro, o sacerdote deve agir com autoridade, fazendo com que o escrupuloso se esforce para aceitar as razões apresentadas. Os autores clássicos falam de “obediência cega”; São Afonso recomenda isso, embora hoje pareça excessivamente rígido. Ainda assim, é importante que o escrupuloso, de fato, a exerça.
Em resumo, o sacerdote deve combinar a paciência de um amigo com a firmeza da caridade cristã, ajudando o escrupuloso a adquirir a segurança em si mesmo de que tanto necessita.
Medidas concretas incluem: evitar confissões gerais desnecessárias, orientar o escrupuloso a esquecer o passado e viver o presente, e ajustar-se aos conselhos do confessor. Não podem faltar os meios ascéticos, como a oração confiante, a humildade, e o abandono à misericórdia divina.
Trecho retirado do livro “Curso Fundamental de Teologia Moral”, de Aurélio Fernandez.
Se precisar de ajuda para livrar-se dos escrúpulos de consciência, sugiro ver meu perfil no Instagram: @terapeutaenzeomatos


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