Obs.: A presente publicação é a transcrição e adaptação que realizei do primeiro capítulo do livro Balbúrdia protestante, do Padre Júlio Maria de Lombaerde, no qual se refutam objeções sabatistas em favor da observância do sábado. Como se trata de um texto relativamente antigo, tive que adaptá-lo bastante segundo a medida que julguei conveniente. Espero tê-lo tornado mais acessível ao leitor que deseje aprender mais sobre a fé católica e seus fundamentos.
QUAL É O DIA DO SENHOR?
Os sabatistas sustentam que o dia que se deve guardar é o sábado, não o domingo. Eles são uma ramificação dos adventistas, fundados em 1831 por um fazendeiro norte-americano chamado Willian Miller. No princípio, eles guardavam o domingo, mas, como protestante sempre protesta, uns adventistas começaram a protestar contra a guarda do domingo e, em 1844, constituíram a Igreja Adventista do Sétimo dia, formando um novo ramo da prolífera árvore plantada por Lutero. O ensino fundamental da nova seita é a observação do sábado em vez do domingo. Tudo lhes é permitido, desde que guardem o sábado.
Considerando protestantemente a seita sabatista, esta tem razão de guardar o sábado, pois, não admitindo sequer a ab-rogação de certos pontos da lei antiga, deve seguir esta lei; porém, está também protestantemente errada, porque, se guarda a lei do sábado, por que rejeita leis similares a esta, que têm semelhante importância e que foram ditadas por Deus no Antigo Testamento?
Segundo o ensino do Evangelho, porém, estão redondamente errados ao seguir uma lei cerimonial ab-rogada por Jesus Cristo e substituída por outra. O sábado não é mais dia santo na lei evangélica, mas o domingo. É o que vou provar aqui de modo insofismável.
I. A LEI DO SÁBADO
A lei do sábado existiu no Antigo Testamento; é certo, porém, que ela não tem os sentidos que os sabatistas lhe atribuem. Para provar a sua pretensão, eles citam uma longa lista de textos da Bíblia. Uma tal lista impressiona uma pessoa ignorante, mas tal impressão se desvanece quando se mostra que a referida lei era feita para os judeus, não para os cristãos; que era uma lei cerimonial própria dos judeus, que nenhuma relação tem mais com a lei dos cristãos. É fácil provar isto, e qualquer pessoa sensata há de compreender estas provas.
Em primeiro lugar, que quer dizer a palavra sábado? Significará um dia determinado no calendário, ou apenas o último dia de uma semana de sete dias? Eis uma pergunta que resolve tudo e lança por terra a pretensão dos sabatistas.
Trata-se do fato de um sétimo dia, que deve ser um dia de descanso; eis a significação da palavra sábado, que quer dizer descanso. Logo, onde quer que se encontre, na Bíblia, a palavra sábado, pode-se ler descanso.
Suponhamos agora que o governo decrete a seguinte lei: “Em todas as semanas haverá um dia de descanso, sendo proibido trabalhar neste dia.”. Em outros termos, prescrevem-se seis dias de trabalho e um de descanso. Como será que o mundo interpretará tal lei?
Todos compreenderão que se trata de um dia de descanso na série dos sete dias e que, para haver uniformidade, tal dia deverá ser indicado pela autoridade, pois o sétimo dia depende do primeiro.
Contando-se o domingo como primeiro dia, o sétimo será o sábado; mas, começando na segunda-feira, o sétimo será o domingo.
Na ordem espiritual, estamos diante do mesmo problema. Os judeus começaram a contar os dias a partir do domingo e fixaram o sétimo dia no último da série, naturalmente, chamando-o por isso de sábado ou dia de descanso.
A Igreja Católica, por razões justificadas que abaixo exporei, começou o cálculo na segunda-feira, de sorte que terminou a série dos sete dias no domingo, dia que se tornou de descanso.
Em ambos os cálculos – o antigo e o novo –, a ordem divina é respeitada: o sétimo dia é um dia de descanso, um sábado dominical.
É o que o bom senso indica-nos e o que ele justifica sem nenhuma transgressão da lei divina.
II . O QUE É UM SÁBADO
O sentido acima exposto prova-se por analogia por meio de textos equivalentes da Bíblia.
Deus não prescreveu somente um sábado ou dia de descanso por semana; há outras prescrições sabatinas na lei antiga de igual valor e de idêntica significação.
Recolhamos apenas três outros sábados positivamente prescritos por Deus.
Havia de 7 em 7 anos um ano chamado sábado, porque deviam os judeus, durante este tempo, deixar a terra descansar.
O sétimo ano será o sábado da terra e do descanso do Senhor (Lev. XXV).
Eis uma passagem que indica claramente que não se trata de tal ou qual dia do calendário, mas sim do último dia, ano ou época de uma série de sete.
Se a palavra sábado indicasse necessariamente o nosso sábado atual, como é que Deus pode chamar sábado a um ano inteiro? Só fazendo parar o Sol! É ridículo sustentá-lo.
Sábado é o último dia, ou o último mês, ou o último ano de uma série de sete. Aliás, é a explicação que dá a própria Bíblia ao repetir, como nos textos acima, a palavra sábado.
Uma segunda prova se tira de outra prescrição sabatina: a do sábado de semanas.
Deus prescreveu ainda que houvesse sábado ou descanso após sete semanas de anos, ou depois de 49 anos: era o Jubileu dos judeus (Levítico XXV., 8).
Um terceiro sábado é prescrito por Deus: agora, de sete em sete meses: é o dia da expiação solene, no qual o povo deve oferecer um holocausto ao Senhor, e este dia é chamado por Deus o sábado do repouso (Levítico. XXIII 27-32).
De sete em sete meses há, pois, um dia consagrado a Deus; este dia deve ser o décimo do sétimo mês, de sorte que, assim determinado, tal dia nem sempre cairá num sábado, mas variará conforme o tempo; entretanto, é por Deus chamado sábado não por ser o sétimo dia da semana do calendário, mas por ser o último de uma série de sete.
O próprio Deus, aliás recapitulando depois as Suas prescrições a respeito das festas e dos dias santos, diz:
“No décimo quinto dia do sétimo mês, quando tiverdes colhido os produtos da terra, celebrareis uma festa ao Senhor durante sete dias. O primeiro dia será um dia de repouso, bem como o oitavo.”
(Levítico XXIII, 39).
Note bem esta expressão: “Haverá o sábado, isto é, o descanso”. ¹
POR QUE O SÁBADO?
Eis um ponto luminoso e bem provado:
A palavra sábado não é tal dia determinado no calendário, mas sim o último dia de uma série de sete dias, que forma uma semana. Tudo depende, pois, do ponto de partida ou do dia que se adota como o primeiro.
No Antigo Testamento, o dia do Senhor era o sábado da nossa semana atual, mas agora se apresenta a pergunta: pode ou não mudar este dia?
É fácil a resposta.
Vejamos primeiro a razão da escolha do sábado como dia santo. A Bíblia indica-nos três razões:
1. Em lembrança da Criação (Êxodo XX. 1);
2. Em lembrança da libertação do Egito (Deut. V);
3. Como sinal da Aliança entre Deus e o povo e em lembrança desta (Êxodo 31, 16).
Estas três razões, como se vê, são particulares aos judeus e, como tais, entram na categoria das leis cerimoniais e não nas leis dogmáticas, morais ou legislativas universais. Como tal, o sábado é antes uma convenção que um preceito positivo.
Uma palavra de Nosso Senhor confirma tal asserção: “O sábado foi feito para o homem, não o homem para o sábado” (Mat. XII, 12), o que quer dizer que o homem deve observar o sétimo dia da série sem ser escravo deste dia a ponto de julgá-lo imutável.
É imutável o descanso do sábado; o dia do sábado não.
IV. AB-ROGAÇÃO DO SÁBADO
Para compreender isto basta lembrar que na lei antiga havia quatro espécies de leis:
1. Leis dogmáticas;
2. Leis morais;
3. Leis cerimoniais;
4. Leis nacionais.
Destas leis só ficam em pé, no Novo Testamento, as leis dogmáticas – completas por Nosso Senhor – e as leis morais – aperfeiçoadas por Ele. Quanto às leis cerimoniais, eram figurativas, devendo desaparecer diante da realidade. As leis nacionais dos judeus desapareceram igualmente diante da legislação universal do Evangelho. Eis o que é por todos admitido, protestantes e católicos.
É necessário agora saber em que categoria se deve colocar a lei do sábado. Não é difícil a resposta.
O sábado não pertence ao dogma, pois exprime nenhuma verdade fundamental da religião. Nem pertence, como dia, à moral, mas apenas indica o descanso (a santificação do sábado pertence à moral). É, pois, uma lei cerimonial. Ora, as leis cerimoniais foram ab-rogadas por Nosso Senhor Jesus Cristo.
A rejeição ao povo de Israel incluía a rejeição a suas cerimônias, como se pode ver no Profeta Oseias. Deus diz: “E farei cessar todos os seus cânticos de alegria, os seus dias solenes, as suas luas novas, o seu sábado e todas as suas festas do ano (Oseias II, 11).
É uma prova de que Deus não deu o sábado como lei imutável, mas como lei cerimonial, que terminou com as festas e as outras cerimônias dos judeus.
Vejamos agora o que disse Jesus a respeito do sábado.
Um princípio fundamental é que todos os preceitos da lei cerimonial não confirmados por Cristo ficam ab-rogados. Uma vez, os judeus atacaram o Salvador porque Ele havia curado um aleijado em dia de sábado; Jesus respondeu: “Meu pai trabalha sempre, e eu também trabalho”. É como se Ele dissesse: “O sábado depende de mim, e eu não dependo do sábado; querendo ab-rogá-lo, posso fazê-lo.”. Por isto Nosso Senhor chamou-se a si mesmo de Senhor do sábado e mandou o aleijado curado carregar sua cama, assim como permitiu aos apóstolos colher espigas de trigo no sábado, embora ambas as coisas fossem proibidas neste dia. Ora, se o sábado fosse uma lei natural, Nosso Senhor não poderia permitir nem mandar que fosse violado, assim como Ele não pode permitir a mentira, o roubo, o assassínio, a desobediência e outras violações da lei natural. Logo, a lei do sábado é uma simples convenção, é um preceito cerimonial que pode ser ab-rogado e que de fato o foi.
V. PROVA DE RELAÇÃO
Citemos mais uma prova da ab-rogação do sábado, agora uma prova tirada das relações que há entre as diversas prescrições.
Os sabatistas querem conservar o sábado semanal, mas por que não conservam eles os três outros sábados acima mencionados? O sábado do sétimo ano, o sábado das 7 semanas de anos e o sábado de 7 meses? Eis quatro sábados prescritos por Deus. Por que os sabatistas querem conservar o sábado da semana e rejeitam os outros três, que estão íntima e inseparavelmente unidos ao primeiro? É ilógico: ou devem adotar a lei sabática inteira, ou então admitir que ela foi ab-rogada.
Onde eles encontram a abolição dos três outros sábados, de meses, de anos e semanas de anos? Têm que escolher: ou tudo caiu, ou tudo ficou de pé; mas de modo algum se pode separar o que Deus uniu.
Deste modo, os próprios sabatistas demonstram não levarem a sério a tal lei do sábado. Este argumento deve estender-se para mais longe.
Se a prescrição do sábado é uma prescrição cerimonial que o sabatistas querem absolutamente conservar, pode-se perguntar-lhes: “Por que vocês observam esta prescrição, mas rejeitam centenas de outras de igual valor e importância? Por que eles não praticam a circuncisão (Gênesis XVII, 16), tão rigorosamente prescrita por Deus? Em que o sábado é superior à circuncisão? E por que rejeitam os lunares? E os sacrifícios (Levítico VI, 14) ? E os holocaustos? E as oblações? E as libações? E as Páscoas com suas cerimônias (Êxodo XIV)? E a festa das primícias? E a festa dos tabernáculos? E a cerimônia da expiação? Por que deixam as mil prescrições particulares que regulam o jejum, as purificações legais, as carnes, o direito civil e criminal, os empréstimos, os depósitos, as propriedades, os salários etc. ? Por que, entre as múltiplas, ou melhor, entre as milhares de prescrições cerimoniais ou nacionais, os sabatistas conservam unicamente o sábado, só o sábado, e rejeitam todo o resto? A Bíblia é ou não a palavra de Deus? Se é, deve ser integralmente aceita; se não é, deve ser rejeitada completamente, pois carece de autoridade.
Basta esta contradição flagrante para provar que o dia de sábado é apenas um dia de convenção cerimonial, que pode ser mudado em qualquer outro pela autoridade competente. O que importa, o que é lei imutável é que, na série de sete dias, o último seja santificado, sem que seja lei imutável qual é o primeiro dia de tal série.
VI. O DOMINGO
Sendo ab-rogadas as prescrições cerimoniais, e pertencendo o sábado a esta categoria de prescrições, é, pois, lógico que tal sábado seja também ab-rogado e substituído por outro dia.
Em virtude da lei antiga, o sábado deixa, pois, de ser tal dia determinado do calendário, mas não fica de pé como dia de descanso.
É preciso agora procurar no Evangelho qual foi o dia indicado pelo Salvador ou pelos Apóstolos como sendo o dia santo do Cristianismo.
A observação do domingo, na nova Lei, não é prescrita nem pela natureza, nem por lei divina positiva, mas é-nos transmitida pela Tradição e, depois, prescrita por lei eclesiástica. Quais são as razões desta mudança?
A razão é tripla, como tripla era a razão do sábado antigo. Na lei antiga, havia por razões recordar a Criação, a libertação do Egito e a Aliança entre Deus e o povo israelita. Estas três razões, que se referem ao povo de Israel, são, na nova Lei, substituídas por três razões análogas, a saber:
1. Lembrança da Ressurreição;
2. Lembrança da libertação do pecado;
3. Lembrança da vinda do Espírito Santo.
Estas três razões são próprias dos cristãos e são para eles decisivas, como para os judeus eram decisivas as razões da escolha do sábado.
A Ressurreição de Jesus Cristo, o Seu triunfo sobre a morte e o pecado, a fundação da Igreja no Cenáculo, a vinda do Espírito Santo, o início da pregação apostólica, tudo isto forma como a base da Igreja Católica e deve ser relembrado pelo dia santo, que deverá, por isso, chamar-se o dia do Senhor, como o chama São João no início do Apocalipse – In Dominica die.
O domingo, como dia santo, tem, pois, por base os grandes acontecimentos da fundação da Igreja e foi observado pelos próprios Apóstolos, como vimos pela Tradição e história. Depois da Ressurreição de Cristo, ocorrida no domingo, eles começaram a reunir-se neste dia e santificá-lo, celebrando nele os santos mistérios e pregando o Evangelho.
São Paulo, em Coríntio, mandou fazer a coleta para os pobres de Jerusalém também no primeiro dia da semana, o que prova que tal dia era o dia da reunião dos fiéis.
O mesmo São Paulo, rebatendo os erros de uns falsos apóstolos, escreve aos colossenses que ninguém, pois, vos julgue pelo comer, nem pelo beber, nem por causa dos dias de festa, ou das luas novas, ou dos sábados, que são sombra das coisas vindouras (Col. II, 16-17). É a prova mais patente para demonstrar que o sábado havia sido definitivamente substituído pelo domingo, sendo o sábado a sombra do dia santo da Ressurreição.
O Didaché ou doutrina dos Apóstolos, que, no fim da vida de São João, ou logo depois de sua morte, servia de catecismo aos cristãos em Roma, diz:
No domingo do Senhor reuni-vos, parti o pão e fazei a Eucaristia, depois de, primeiro, terem confessado os vossos pecados, a fim de que vosso sacrifício seja limpo (Cap. XIV).
Santo Inácio, que foi discípulo de São João, escreve: “Aqueles que estavam ocupados com as coisas velhas chegavam à nova confiança, não guardando mais o sábado, mas vivendo conforme o dia do Senhor ou domingo, porque neste dia Cristo ressurgiu.”.
São Barnabé, Tertuliano, São Clemente e São Justino Mártir, todos eles dos dois primeiros séculos, referem-se à guarda do primeiro dia da semana como sendo o dia do Senhor.
VII. CONCLUSÃO
Como se deve deduzir do que foi exposto acima, a ab-rogação do sábado enquanto prescrição cerimonial é um fato certo, indiscutível.
Quanto à substituição do sábado pelo domingo, já foi como que preparada pelo próprio Jesus Cristo quando Ele permitiu aos Apóstolos e aos enfermos fazerem ações que eram proibidas pelas prescrições sabatinas e declarou que Ele é o Senhor do sábado.
Vemos depois os Apóstolos, desde o início de seu apostolado, escolherem o domingo, santificá-lo pela celebração dos santos mistérios e a pregação do Evangelho. O domingo é, portanto, uma instituição apostólica, ratificada mais tarde pela autoridade da Igreja, para manter a uniformidade na prática e distinguir definitivamente os cristãos dos judeus.
O domingo foi oficialmente reconhecido no Império Romano pelo Imperador Constantino, em 321, não instituído, mas reconhecido como dia santo dos cristãos.
O domingo é, pois, o verdadeiro e único sábado ou dia de descanso dos cristãos, enquanto o sábado antigo continua a ser o dia de descanso dos judeus, que ainda esperam o Salvador, e para os sabatistas, que nem sequer acreditam no ensino deste mesmo Salvador, mas antepõem-lhe a lei dos judeus.
Conservando, de fato, o sábado como dia santo, eles conservam as prescrições judaicas e rejeitam a prática dos Apóstolos, os ensinamentos da Tradição e as prescrições da Igreja Católica – o que é próprio do Protestantismo.
Os sabatistas, como protestantes, têm razão de guardar o sábado, para poderem contradizer a Igreja Católica, enquanto as outras centenas de seitas protestantes, acompanhando prescrições da Igreja Católica, deixam de ser protestantes, nesse ponto, e, como tais, são ilógicas e incoerentes, pois a essência de uma seita protestante é protestar contra a Igreja.
Mas, apesar de tanta balburdia e tantas lutas entre eles, de vez em quando são obrigados a reconhecer que só a Igreja Católica conserva intactas as instituições apostólicas, como conserva íntegra e pura a palavra divina da Sagrada Escritura.
Estão, pois, errados os sabatistas em defender a manutenção do sábado, como também estão erradas as outras seitas, combatendo os sabatistas, por serem estes mais protestantes do que elas.
É a mania de brigar! E, no meio destas brigas, fica firme, impávida, imutável e sempre radiante de santidade a única Igreja verdadeira de Jesus Cristo, a Igreja Católica, apostólica, romana. Esta Igreja nunca vacilou em sua crença e convicção, mas, desde os Apóstolos, adotou o domingo como o sábado cristão.


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