Tudo o que escrevo nas redes sociais fundamenta-se em alicerces mais profundos do que uma simples opinião, a saber: na submissão à Santa Doutrina e em verdades filosóficas básicas que são, por assim dizer, patrimônio comum da humanidade (diga-se da humanidade intelectualmente sã).
Embora eu não seja filósofo, é minha obrigação ter o conhecimento básico de certas verdades sem as quais nossa frágil fé pode ser tentada a tremer diante de ataques falaciosos e funestos de relativistas, materialistas e demais seguidores de ideologias cujos efeitos sobre a mente humana são perversos, tais são a malícia e a obscuridade de que estão imbuídas.
Por isso, nos breves textos que publico aqui e em outras lugares, quero transmitir-lhes algo dessas verdades que podem – e devem – ser absorvidas, meditadas e aplicadas em suas nossas vidas. E por quê?
Porque o conhecimento genuíno da verdade não é equivalente à apreensão quase mecânica de conteúdos aparentemente desconexos entre si, como boa parte do ensino atual faz parecer. Todos os homens somos chamados à vida intelectual, ao conhecimento da verdade; a cada um, porém, será cobrado um grau específico de conhecimento, aquele que lhe é devido por seu estado de vida.
Estudar não é um passa-tempo, uma simples brincadeira; também não é um enriquecimento intelectual egoísta, uma aquisição de cultura que nos torna orgulhosos e jactantes. Trata-se de algo decisivo: sem o conhecimento básico da Sagrada Doutrina, dos fundamentos da Filosofia por exemplo, facilmente se pode cair nos enganos do mundo, pois não saberemos o que lhe responder diante de seus inúmeros e contínuos ataques, diante das perguntas que nos fizerem no dia-a-dia os escarnecedores e os mundanos, etc. etc. .
Por exemplo, nos dias atuais, sem dificuldade encontramos pessoas afirmando que o sexo biológico é uma construção social (isto é, não se nasce menino, nem menina, objetivamente falando); que a verdade é relativa, pessoal, subjetiva; que todas as religiões são iguais e levam a Deus, etc. . Essas ideias perversas não brotaram de nada, tampouco são elaborações consistentes e percepções lúcidas do ser mesmo das coisas; antes, negam-no fatalmente, atribuindo-lhe diversos títulos pejorativos, como quem condenasse à morte a própria natureza das coisas e sua descrição objetiva.
Tal é a situação em que estamos que precisamos lutar contra a aprovação do suposto “direito” assassino de mães poderem assassinar seus próprios filhos. Defende-se, com uma naturalidade satânica, que todas as mulheres tenham o “direito” de abortar, fazendo de seus ventres verdadeiros sepulcros e altares de sacrifício humano. Considera-se um dos maiores pecados algo indiferente e questão de saúde pública.
Por outro lado, coisa curiosa!, um pouco mais de observação e chegaremos ao conhecimento de que não poucos abortistas são rigorosamente contra o maltrato de animais. Evidentemente, não é bom que se maltratem os animais; contudo, trata-se de uma falta de senso de proporção tão grande que chega a escandalizar quer porque pareça algo doentio, estritamente patológico, quer porque tornou-se norma e parte do senso comum da sociedade moderna.
Foram as massas esmagadas por si mesmas na medida em que, como um rebanho indefeso, se foram tornando mais agressivas pela manipulação de um punhado de desgraçados ambiciosos e servos de Satanás. Tornaram-se um pão que o Diabo amassou; são homens sem rosto.
É uma agressividade geral, que se volta contra tudo o quanto se lhe afigure hostil; e essa valoração, que passa a ser instintiva, é imposta por quem está por trás dos perversos projetos de engenharia social, isto é, esse punhado a que me referi.
Assim, aqueles peixes indefesos que cederam à isca das ideologias reinantes foram perdendo a passos largos a capacidade de enxergar a realidade de si próprios e que lhes cerca. Foram-se tornando cegos, e aos poucos o Brasil se tornou um país onde cegos guiam outros cegos e consideram louco aqueles que lhes apontam um abismo à sua frente.
Parece que a manipulação generalizada soube mover esses homens como a Serpente tentou Eva. Fez com que se tornassem cegos e idólatras de si próprios, adoradores de sua própria vontade, dos deuses Sexo e Riqueza. Reivindicando uma liberdade absoluta para si próprios, e até assumindo-a plenamente e manifestando-a de um modo assombroso, não percebem que se tornaram pobres fantoches sem vontade; o que lhes governa é a vontade de outrem que desconhecem.
Na Idade Média, tão difamada atualmente, o povo sabia o que era o pecado; quando estava afogado em vícios e trevas, podia admiti-lo e fazer uma confissão a um Sacerdote. Tendo-se consciência da doença, podia-se saber com que remédio tratá-la. Ignorando-se a doença, como encontrar o remédio? E ainda mais uma doença tão íntima e fácil de disfarçar-se, esta do pecado… Mas, atualmente, nega-se a realidade do pecado – e isto até mesmo religiosos fazem -, como se a verdade pudesse alterar-se no decorrer do tempo.
Toda essa confusão mental, todo esse relativismo absurdo e culto aos falsos deuses da modernidade levam o homem, inevitavelmente, a um autoengano profundo, ao desprezo de si mesmo e do próximo travestido de boas intenções, de conduta exemplar ou de normalidade humana.
É preciso que reconheçamos que a verdade está no ser mesmo das coisas e que devemos submeter-nos a ela humildemente, sem querermos impor nossos desejos ou caprichos à ordem estabelecida pela infinita Sabedoria do Criador. E, como é evidente, não se faz isso às cegas, mas de forma genuinamente humana e sincera, numa busca perseverante da verdade, numa observação pacífica da realidade, numa docilidade àquilo que é.
Esta docilidade de nossas inteligências à realidade é um dever humano inalienável. Como seres humanos, somos capazes de refletir sobre a nossa própria vida e de chegar a conclusões decisivas e imprescindíveis, das quais é absolutamente necessário não fugir. Nenhum animal é capaz disso, mas nós, que somos animais racionais, o somos.
Quantos de nós param pra pensar sinceramente naquilo que verdadeiramente e absolutamente importa, naquelas perguntas fundamentais da vida humana? Não me refiro a perguntas superficiais, banais ou mal formuladas, mas àquelas que são vida ou morte, tudo ou nada; aquelas cujas respostas que de algum modo conferem sentido e valor à nossa vida. Não faz sentido viver unilateralmente a vida, subtraindo-se à contemplação da verdade, da beleza do universo, dos mistérios da fé para absorver-se, completamente, inegociavelmente, apenas aos negócios deste mundo, às tarefas, à dispersão, ao trabalho.
Sócrates, Aristóteles, Platão e muitos outros filósofos da Antiguidade já haviam percebido isso milênios antes de nosso nascimento. E eles eram seres humanos iguais a nós. Pensemos em Adão por exemplo, que tinha diante de si muito claramente essas perguntas fundamentais, existenciais e inegociáveis, sobretudo porque, como cabeça do gênero humano, Deus lhe havia revelado uma série de verdades que estavam em ordem à sua salvação e à de sua posteridade. Adão experimentou como ninguém as conseqüências de uma inteligência e uma vontade mal utilizadas, direcionadas para a maldade. Porventura ele teria não refletido sobre ato terrível que cometeu ao pecar, em vista de conseqüências que duram até hoje? Será que não teve de arrepender-se, de repensar sua vida?
Pois bem, se todo homem é capaz de refletir sobre a própria existência e fazer-se a si mesmo as perguntas mais fundamentais, e, além disso, tem a obrigação de fazê-lo, ninguém pode, nem deve, esperar a morte chegar-lhe para conscientizar-se do peso imenso de sua própria existência. Não há futuro garantido para ninguém, há somente o agora. Esta vida é um instante que passa diante de nós e em nós qual um suspiro. É uma gota d’água que, ao cair, é absorvida pela terra; é um relâmpago, que, brilhando para todos por brevíssimos instantes, logo deixa de existir.
Ninguém precisa ser filósofo para questionar-se a esse respeito. Precisa apenas tomar consciência de que, sendo um ser humano, é capaz de conhecer a verdade e, portanto, tem grandes responsabilidades para consigo mesmo e para com o próximo.
Busquemos, portanto, sinceramente a verdade enquanto há tempo para fazê-lo! Não deixemos para amanhã algo tão decisivo. E não se trata de algo abstratamente decisivo; é visível em nossas entranhas, no mais íntimo de nossos corações! Conto-lhes meu exemplo pessoal. O estopim de minha mudança de vida se deu quando o Senhor resgatou-me do maldito ateísmo e levou-me à Sua Santa Igreja Católica. Tudo, desde então, mudou pra mim. Minha vida nunca mais foi a mesma, e também nunca fui tão feliz como hoje. Não porque Deus cumulou-me de bens terrenos e materiais, mas porque Ele Se tem me dado a Si mesmo dia após dia; Ele Se oferece a Si próprio para mim e para todos os que Lhe são verdadeiramente fieis. Ele é o fundamento de minha vida, de minha existência, de meu ser; sem Ele, nada tenho, mesmo se tudo tiver; com Ele, tudo tenho, mesmo se nada tiver. E o mesmo vale para todos nós, seres humanos, que estamos a chorar neste vale de lágrimas.
Inevitavelmente virá até nós a morte, e já não teremos o que fazer; tudo o quanto podíamos ter feito para nossa salvação eterna se terá então tornado um passado que nunca mais voltará. E nossas almas, uma espécie de presente eterno.


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